Traje típico dos cimbros de Vallarsa e Trambileno, um dos mais antigos de todo o Tirol (século XVIII).
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Nos últimos anos, têm crescido bastante a procura, entre os descendentes de tiroleses, de informações sobre os trajes tradicionais da região de origem dos seus ancestrais. No entanto, a maior parte das informações se encontra em italiano ou alemão. Neste post vamos detalhar os principais aspectos dos trajes típicos do Tirol Italiano (atual Província de Trento); esperamos que seja uma boa fonte de informação aos descendentes que desejam formar grupos de dança ou meramente cultuar as tradições dos antepassados. As roupas camponesas que, na região do Tirol Histórico, se convenciona chamar “trajes típicos” datam, na sua maioria, do final do século XVIII e início do século XIX, após a reforma do Landesordnung (ordenamento territorial) tirolês nos tempos da imperatriz Maria Teresa da Áustria, (a região de Trento pertenceu ao Império Austríaco de 1363 até 1918). Até essa reforma, os camponeses eram proibidos de utilizar, nas suas vestimentas, tecidos considerados “de luxo”, como a seda e o veludo, devendo restringir-se a tecidos feitos em casa. O fim dessa proibição levou ao surgimento de grande variedade de vestiário festivo da população rural. No caso da região tirolesa, cada vale tinha seu modo particular de vestir, com características comuns a todas os vales, fossem de língua alemã ou italiana (“trentinos”).
Detalhe de um alvo utilizado pelos atiradores tiroleses (Sìzzeri, Schützen) datado de 1741, com trajes regionais.
Nas últimas duas décadas, especialmente devido à refundação de diversas companhias de atiradores (Sìzzeri¸ Bersaglieri ou Schützen), foram realizados várias consultas a fontes históricas buscando reconstruir os trajes tradicionais da região trentina, de forma que hoje é possível obter informações mais detalhadas sobre a natureza e os detalhes técnicos dos trajes típicos dessa parte do Tirol.
À esquerda: aquarela da década de 1830 mostrando os trajes típicos da região de Folgaria. Ao fundo, a cidade de Besenello. [2] À direita: versão moderna do traje típico – companhia de atiradores de Rovereto.
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TRAJE FEMININO
Embora cada vale do Tirol tivesse seus trajes particulares, os vestidos femininos mantinham características comuns a toda a área alpina tirolesa. No dia-a-dia, a roupa de trabalho das mulheres normalmente consistia de um vestido simples com um corpete (corpèt, em dialeto trentino) fechado na frente por uma fila vertical de botões e uma longa saia até os tornozelos, com um avental por cima.
Antigo registro de camponesas do Tirol Italiano com seus trajes de trabalho.
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Os vestidos de festa eram baseados no modelo utilizado para o trabalho. Eram feitos com um corpete justo, fabricado tecidos mais nobres, como a seda ou o veludo, e utilizando cores mais vivas, como o verde, o vermelho, o amarelo e o azul. No lugar dos botões, era ricamente decorado com tirantes de cores e materiais diversos, fitas trabalhadas e outros adornos.
A saia, que descia até os tornozelos, em geral era de pano simples e de cores escuras, como o preto ou azul-escuro. Por baixo do corpete, a camisa branca de linho normalmente tinha a gola e as mangas ricamente trabalhadas. Por cima da saia do vestido, utilizava-se um avental colorido (grumbial,em dialeto), normalmente com motivos florais, feito de algodão ou seda.
Completando o traje, vestia-se um xale de seda ou bordado sobre os ombros, amarrado na frente ou nas laterais do vestido. Nos meses mais frios, era comum o uso de jaquetas de loden (uma espécie de lã batida, muito quente), longas até a cintura.
O uso de chapéus não era exclusividade dos homens, sendo muito comum também entre as mulheres. Até fins do século XVIII, os tiroleses utilizavam chapéus baixos de abas bastante largas, de cores diversas, predominando o verde e amarelo. Em meados do século XIX, a maior parte dos vales havia adotado chapéus cilíndricos de feltro preto, de abas mais curtas. Caso não utilizassem o chapéu, as mulheres enfeitavam os cabelos com tranças, fitas coloridas e outros adornos.
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